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Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 5 ( Final ) - O Candomblé e a identidade definitiva de Turquinho de Omolu

    Buscando paz espiritual, Francisco aceitou o convite de Catarina para visitar uma casa de candomblé, a Casa de Ana de Yansã. Lá, ele se viu imediatamente envolvido pela energia vibrante da festa dedicada à dona da casa. Yansã dançava em seu traje vistoso de vermelho e branco, o adê acobreado reluzindo sob as luzes, uma visão que fascinava Francisco. Mas o que verdadeiramente o arrebatou foi a chegada de Oxóssi, o orixá da caça e dos animais. O som do agueré, o ritmo pulsante que anunciava sua presença, parecia chamá-lo como um eco ancestral. Oxóssi manifestou-se em Armando, um bodybuilder de corpo esculpido, cuja força e graça ao dançar possuído pelo orixá pareciam quase divinas aos olhos de Francisco. Durante o jantar da festa, os olhares de Francisco e Armando se cruzaram, acompanhados de sorrisos tímidos que carregavam uma promessa silenciosa. "Achei tão lindo a dança de teu orixá!" disse Francisco, a voz cheia de admiração. Armando, com um leve sorriso vaidoso...

Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 4 - O encontro com o amor e Omolu acolhe seu filho.

    Buscando paz espiritual, Francisco aceitou o convite de Catarina para visitar uma casa de candomblé, a Casa de Ana de Yansã. Lá, ele se viu imediatamente envolvido pela energia vibrante da festa dedicada à dona da casa. Yansã dançava em seu traje vistoso de vermelho e branco, o adê acobreado reluzindo sob as luzes, uma visão que fascinava Francisco. Mas o que verdadeiramente o arrebatou foi a chegada de Oxóssi, o orixá da caça e dos animais. O som do agueré, o ritmo pulsante que anunciava sua presença, parecia chamá-lo como um eco ancestral. Oxóssi manifestou-se em Armando, um bodybuilder de corpo esculpido, cuja força e graça ao dançar possuído pelo orixá pareciam quase divinas aos olhos de Francisco.     Durante o jantar da festa, os olhares de Francisco e Armando se cruzaram, acompanhados de sorrisos tímidos que carregavam uma promessa silenciosa. "Achei tão lindo a dança de teu orixá!" disse Francisco, a voz cheia de admiração. Armando, com um leve so...

Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 3 - "Eu vou ser um BRASILEIRO!"

   Ahmad, agora com o coração endurecido pelas perdas, encontrou um novo propósito: arrancar de si todas as características culturais que o ligassem ao Iraque, o país que ele via como um monstro devorador de tudo o que amava. Ele estava obstinado em conquistar a nacionalidade brasileira, em apagar as marcas de um passado que o sufocava. Procurou Catarina, sua salvadora de olhos gentis, e despejou seu anseio com uma mistura de raiva e súplica. "Me tiraram amor, me tiraram casa, me tiraram futuro e agora tiraram meu pai! Por que vou querer ser cidadão deste monstro chamado Iraque? Catarina, me diga o que preciso para ser um brasileiro! Além, é claro, de um fonoaudiólogo competente, para tirar de mim este sotaque MALDITO!!!" implorava ele, os olhos marejados, mas a voz firme como nunca.    Catarina, com sua calma habitual, segurou as mãos dele e prometeu guiá-lo. O processo de nacionalização foi um caminho árduo, cheio de burocracia, papéis e espera, mas Ahmad —...

Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 2 - O recomeço em São Paulo e a perda do pai para a sharia.

  No dia seguinte, Ahmad acordou no pequeno alojamento do aeroporto, o corpo ainda pesado, mas um pouco mais descansado. Catarina voltou acompanhada de um representante do Ministério dos Direitos Humanos, um homem de semblante sério e olhos frios. Alimentado com um café da manhã simples — pão, manteiga e um copo de leite —, Ahmad sentia as forças voltando aos poucos, o suficiente para abrir o coração. Sentado em uma cadeira de plástico, com Catarina ao seu lado como um porto seguro, ele começou a falar, a voz trêmula mas decidida. "Eu me chamo Ahmad... Ahmad Yusuf. Eu me percebi diferente dos outros rapazes quando estava sempre olhando para homens e não para mulheres, desejando os abraços e beijos deles e não delas. Eu me assustava com a possibilidade de me casar com uma mulher, sentia uma sensação de vômito, náuseas mesmo, quando pensava em enganar uma mulher!!!" As palavras saíam como um rio represado, e logo ele desabou em lágrimas, o rosto escondido nas mãos. O f...

Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 1 - A fuga do inferno em Bagdá

  Ahmad estava ofegante, o peito subindo e descendo em espasmos enquanto se escondia dentro de sua casa, na periferia de Bagdá. O ar estava denso, carregado de poeira e um medo que parecia sufocá-lo. Lá fora, os gritos dos militantes da Sharia cortavam o silêncio, misturados ao tropel das botas dos militares que o perseguiam. Seu crime não era um ato, mas sua própria existência: Ahmad era gay, uma identidade que, naquele canto opressivo do Iraque, era sinônimo de morte. Ele e Ibrahim, seu namorado, haviam sido traídos. Sued, alguém que Ahmad considerava um amigo, os entregara às garras da intolerância. A memória daquele momento fatal ainda ardia em sua mente: os olhos arregalados de Ibrahim, o suor escorrendo por seu rosto enquanto o empurrava com força. "Fuja, Ahmad, fuja! Não sucumba como Mufahed, pelo amor de Alá!!!" gritara Ibrahim, a voz rouca, quebrada pelo desespero. "Eu encaro eles! Fuja por nós!"    Ahmad correu, as pernas trêmulas, o coração dispar...