Zambelê - A Vida (8) Final
Nas tardes douradas de Fortaleza, onde o sol do Ceará pinta o céu de laranja como tela de pintor sertanejo e o mar de Iracema murmura segredos pros casais que passeiam de mãos dadas, o destino – esse tecelão caprichoso de fios vermelhos e azuis – entrelaçou mais uma vez as raízes dos Medeiros à viola errante de Zé Violeiro. Anos haviam se passado desde o encanto imediato na feira poeirenta, onde Zequinha dedilhava o ar como cordas invisíveis e Maria Lúcia, com olhos de costureira que remendava almas em vez de só tecidos, vira no violeiro não um sucesso de palco, mas um porto seguro após tempestades de ausência. O namoro florescera devagar, como mandacaru na caatinga urbana: cafés na barraca dela, com Zé contando modas antigas entre o cheiro de linha e alfinetes; passeios no calçadão ao entardecer, onde o mar lambia os pés deles como bênção; e noites em que a viola calava as dúvidas, cantando "A saudade quando cansa de ficar presa na mão / Vira a dor de uma esperança que não dá n...