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Mostrando postagens de novembro, 2025

Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 2 - O recomeço em São Paulo e a perda do pai para a sharia.

  No dia seguinte, Ahmad acordou no pequeno alojamento do aeroporto, o corpo ainda pesado, mas um pouco mais descansado. Catarina voltou acompanhada de um representante do Ministério dos Direitos Humanos, um homem de semblante sério e olhos frios. Alimentado com um café da manhã simples — pão, manteiga e um copo de leite —, Ahmad sentia as forças voltando aos poucos, o suficiente para abrir o coração. Sentado em uma cadeira de plástico, com Catarina ao seu lado como um porto seguro, ele começou a falar, a voz trêmula mas decidida. "Eu me chamo Ahmad... Ahmad Yusuf. Eu me percebi diferente dos outros rapazes quando estava sempre olhando para homens e não para mulheres, desejando os abraços e beijos deles e não delas. Eu me assustava com a possibilidade de me casar com uma mulher, sentia uma sensação de vômito, náuseas mesmo, quando pensava em enganar uma mulher!!!" As palavras saíam como um rio represado, e logo ele desabou em lágrimas, o rosto escondido nas mãos. O f...

Turquinho de Omolu - O Iraquiano que adotou o Brasil como lar. Cap 1 - A fuga do inferno em Bagdá

  Ahmad estava ofegante, o peito subindo e descendo em espasmos enquanto se escondia dentro de sua casa, na periferia de Bagdá. O ar estava denso, carregado de poeira e um medo que parecia sufocá-lo. Lá fora, os gritos dos militantes da Sharia cortavam o silêncio, misturados ao tropel das botas dos militares que o perseguiam. Seu crime não era um ato, mas sua própria existência: Ahmad era gay, uma identidade que, naquele canto opressivo do Iraque, era sinônimo de morte. Ele e Ibrahim, seu namorado, haviam sido traídos. Sued, alguém que Ahmad considerava um amigo, os entregara às garras da intolerância. A memória daquele momento fatal ainda ardia em sua mente: os olhos arregalados de Ibrahim, o suor escorrendo por seu rosto enquanto o empurrava com força. "Fuja, Ahmad, fuja! Não sucumba como Mufahed, pelo amor de Alá!!!" gritara Ibrahim, a voz rouca, quebrada pelo desespero. "Eu encaro eles! Fuja por nós!"    Ahmad correu, as pernas trêmulas, o coração dispar...